sexta-feira, 6 de abril de 2012

Espaço e Luz.II

Dando seguimento ao exercício que busca explorar a relação entre "Espaço & Luz", alguns aspectos ficaram pendentes em termos de exercício. Pedia-se que houvesse variação da calunga e, para isso, o principal recurso utilizado foi a mudança do sentido da caixa, o que altera a relação da altura da caixa com o calunga(referência para a escala). Além disso, busquei alguns exemplos de situações reais em que a luz se mostrou como uma ferramenta essencial para a compreensão da obra arquitetônica. Dentre as observadas, algumas serviram de inspiração e, já outras, como exercício de observação e estudo. Assim, surgiram outras novas propostas dentro do contexto que se era esperado, dando seguimento ao exercício iniciado anteriormente.

Proposta 4: A principal característica dessa proposta é a não-linearidade de uma das faces. Essa se apresenta com curvas alternadas entre a parte superior e inferior. Confeccionada com papel verde claro e, pela parte externa, coberta com papel celofane também verde, servindo de filtro. O interessante dessa proposta é a forma com a luz incide sobre o "chão", de tal forma que se formam círculos, de acordo com a posição de que a luz provem. Outro aspecto que é válido destacar é a variação da sombra com a mudança da luz. Essas curvas são benéficas para conter o excesso de incidência solar ao longo do dia, sem, contudo, que seja preciso a utilização de luz artificial. Com a alteração do posicionamento da caixa, muda a forma de observar o ambiente. Se colocada de maneira horizontal, o ambiente parece mais baixo e, portanto, a escala deve acompanhar, sendo assim, o calunga menor. Já quando é mais alta, o calunga pode ser maior, pois há espaço para isso. Imagens: 1, 2, 3 (caixa no sentido horizontal) e 4,5 (caixa no sentido vertical).

1. Sombra projetada principalmente embaixo da superfície
2. Dessa maneira a sombra passa a ser circular, mas dupla também.

 3. Nessa posição de luz, as sombras passam a se acumular.
4. Percebe-se a mudança do calunga, que, agora, é maior.
5. Uma parte da sombra se projeta na aresta entre o chão e a superfície lateral e a outra somente na superfície lateral.
Seguindo esse raciocínio de proposta, decidi inverter a posição da superfície curvilínea, de modo que essa, agora, se posiciona na parte externa e funciona de maneira a evitar a grande incidência solar novamente. A grande alteração dessa nova proposta para a outra é que nessa nova o formato das aberturas é, na realidade, um quadrado, que continuam de alternando. Outro aspecto de que vale a pena ser salientado é o fato de que, apesar de haver o celofane, esse perde um pouco de sua função de filtro, pois a incidência luminosa passa a não ocorrer diretamente nele. Novamente, persiste a alteração de calungas de acordo com o sentido de posicionamento da caixa. Caso essa seja horizontal, a calunga é menor e vice-versa. Imagens: 6,7,8,9 (caixa na posição horizontal) e 10, 11 (caixa posição vertical).
 6. Nota-se a regularidade da alteração das aberturas.
 7. A luminosidade invade através das aberturas e essas, por sua vez, geram uma sombra na parte oposta e também no chão da caixa.
 8. Nesse caso, passa a ocorrer uma intersecção entre as sombras.
9. Aqui, as sombras se acumulam próximo da própria superfície em que se encontram.
 10. Existe uma "fenda" entre a lateral e a base, o que faz parecer que não há ligação entre os elementos.
11. A parte superior aparece de maneira levemente curvilínea.

Proposta 5: Essa proposta apresenta como diferencial a presença de um círculo. A grande vantagem dessa figura para a iluminação é que através dele os raios solares, por exemplo, aparentam adentrar mais no ambiente. Na primeira situação o plano rosa está inclinado e, ao fim, une-se com o azul marinho. Além disso, esse círculo possui um filtro cuja cor é fruta-cor. Uma abertura leve entre as superfícies brancas e as demais transmite uma impressão de que as coloridas estão flutuando (12).  Já quando se altera a posição do plano rosa, as aberturas ocorrem, além do círculo, na parte diante do olho mágico de maneira lateral, o que continua com o efeito de flutuar. Novamente, percebe-se a variação da posição da sombra (13,14).
 12. A incidência luminosa faz com que pareça que as superfícies coloridas estejam flutuando. 
 13. A sombra projeta-se grande e sobre o calunga.
14. A aparência de desconectividade entre os planos é um efeito interessante em alguns casos.

Proposta 6: o posicionamento dos planos nessa proposta faz parecer que a caixa seja infinita. Além da abertura lateral, com papel celofane, uma tênue abertura e, consequentemente, incidência solar ao fundo da caixa faz com que essa ideia se perpetue. Quanto mais ao fundo, menor é a altura e, por isso, deve-se reduzir o tamanho do calunga. Novamente, alterando a escala. Na foto mais escura (15), há um reflexo roxo proveniente do uso do papel celofane. Isso não ocorre quando a luz se torna mais intensa (16). Quando se inverte a posição da caixa, a ideia de infinidade continua (17). A diferença, agora, é a escala do ambiente.
 15. A parte lateral forrada com celofane possibilita a visualização do ambiente externo.
 16. A grande incidência luminosa faz com que a caixa pareça infinita.
17. Escala um pouco maior devido a relação de altura.

Proposta 7: essa proposta é uma tentativa de utilizar uma ideia da obra do arquiteto Eduardo Souto de Moura com a obra Paula Rego Museum em Cascais, Portugal, feita em 2008 (18). A ideia que tentei reproduzir foi a da abertura quadrangular que surge de uma espécie de pirâmide (19 e 20). 
18. Paula Rego Museum
19. Foto sem olho mágico
  20. Foto com olho mágico. Nota-se a abertura em formato quadrangular.

Enfim, essas foram algumas das obras que observei para a realização do exercício.
 21. Obra do arquiteto francês Jean Nouvel.É o Instituto do Mundo Árabe (IMA ou Arab World Institute) em Paris, França. Foi construído no ano de 1987.
21. Obra do arquiteto português Álvaro Siza. É a Fundação Iberê Camargo em Porto Alegre, Brasil. Esse é um dos corredores e a abertura é um círculo com vidro junto de uma outra abertura pequena de forma retangular.

Etapas II.2, III.2 e IV.2

Etapa II.2
Nessa etapa, a exigência era a criação de uma peça cuja superfície interna fosse lisa e vazada (1,2) e outra que representasse uma espécie de torre(3). 


 1. Vista superior da peça com superfície interna lisa
 2. Outro ângulo de visão da peça com superfície interna lisa
 3. Fotografia da torre
Após a construção dos volumes, deveríamos relacionar os dois elementos através do conceito de tensão. Para isso, foi necessário testar diversas posições a fim de verificar a possibilidade da existência de tensão entre as peças. Inicialmente, coloquei ambas as partes separadas, de forma que não formam uma unidade. Logo, o conceito de tensão inexiste, visto que não possuem relação entre si (4, 5). Posteriormente, aproximei-as, porém, de tal forma que, devido ao excesso dessa proximidade a tensão também deixa de existir, já que agora, apesar da forma ser, acentuadamente, diferente, formam uma única unidade (6). Depois dessas experiências, comecei a explorar outras relações possíveis entre os objetos de forma a tentar relacionar as peças entre si. Apesar de parecer uma base sólida, dependendo da posição em que se posiciona o volume branco, o novo sólido obtido pode apresentar uma desarmonia, o que pode ser considerado como uma ausência de unidade, uma vez que, mesmo unidos, a relação entre o eixo(peça branca) e a base(peça rosa) ocorre de modo desproporcional (7). Outro aspecto que pode ser percebido é que ao tentar encaixar a torre dentro do volume cuja superfície interna apresenta-se lisa é que existem algumas posições nas quais essa relação ocorre de maneira mais integrada. Com isso, é possível perceber que em alguns casos o equilíbrio inexiste devido ao fato de que as peças foram posicionadas de maneira equivocada (8). Essa mesma situação ocorre quando se inverte a posição das peças, transformando a rosa em uma "cobertura" e a branca no eixo de sustentação e base. Essa composição exalta a ausência de firmeza, firmitas (9). Todavia, pode-se tentar colocar a torre dentro da peça rosa. Nesse momento, passa a existir a relação entre as figuras e, consequentemente, tensão. Quando a peça rosa está localizada na parte mais superior da branca, a tensão entre ela existe, porém é pequena (10). À medida que o sólido rosa desce a tensão entre a parte inferior da torre branca e ela aumenta, pois passa a haver uma maior integração entre os elementos. Além disso, ao passo que se direciona para baixo, tem-se uma ideia de que, ao poucos, o equilíbrio será alcançado (11, 12, 13, 14). Na posição da foto 15, a tensão é praticamente máxima. Existe a impressão de que os objetos querem se atrair e, com isso, existe uma interação enorme entre as peças (15). Após essa posição em que a tensão era muito grande, a nova posição (16), em que a peça rosa encosta na mesa, faz com que a tensão novamente desapareça. Assim, é nessa posição em que se encontra o equilíbrio entre as peças, pois a base sustenta fortemente a torre.
4, 5. Objetos afastados não formando uma unidade eliminam a tensão

 6. Duas peças continuam sem tensão, porque formam, agora, uma unidade única.
 7. Desproporcionalidade no posicionamento do eixo(peça branca) em relação à base (peça rosa)
 8. Mesmo que a peça esteja parcialmente encaixada, o equilíbrio inexiste, porque há uma inclinação acentuada, fazendo com que passe uma situação de imponência ao observador.
 9. A mudança das posições das peças é ainda mais estranha sob o olhar do observador.
 10. A tensão passa a existir entre os volumes, porém de maneira tênue. O grande problema desse elemento é a ausência da distribuição de pesos e um posicionamento coerente entre as peças.
 11. Um pequeno deslocamento já aumenta a relação de tensão entre a parte inferior da peça branca com a rosa.
 12. Posto que haja uma aparência de obtenção de equilíbrio, esse, contudo, não se confirma, porque, como se observa, ainda existe uma inclinação do sólido rosa.
 13. Aumento da tensão
 14. A tensão é ainda mais forte.
 15. Pode-se dizer que a tensão é praticamente máxima, já que parece que as peças se atraem de forma de aquele vazio existente tende a ser superado. 
 16. Posição em que deixa de existir a tensão e passa se perceber o equilíbrio.

Etapa III.2
Esse processo é, na realidade, uma complementação da segunda etapa, pois, agora, além de relacionar os elementos entre si através do conceito de tensão, é preciso adicionar um plano. Portanto, o que deve ser explorado é as diferentes posições, as relações de equilíbrio, volume, peso e tensão que passam a existir entre eles. Dessa forma, os sólidos iniciais são uma figura cuja superfície interna seja lisa, branca (17), uma torre, verde (18), e uma última, já pronta, também verde, que é, na verdade, o plano (19). Posteriormente, testei algumas posições da superfície plana verde. Na 21, por exemplo, não há tensão, pois a figura plana atua como base, o que não transmite uma sensação de equilíbrio, uma vez que essa é menor que a branca. A posição tida como ideal, sob o meu ponto de vista, é a da foto número 22. Nela, a superfície lisa está na parte superior que se relaciona com o conceito tensão com a base branca. Além disso, ela está sustentada pela torre verde-claro. Caso se mude novamente a posição da base, terá uma relação de tensão entre a base branca e mesa. Essa por sua vez, será maior se comparada às anteriores (23, 24, 25). Haverá também uma certa imprecisão em termos do posicionamento do sólido de maneira a ficar pendendo de um lado para o outro, como pode ser observado no vídeo.
 17. Peça branca cuja superfície interna é lisa, o que possibilita diferentes posições da torre.
 18. Torre verde com a sombra projetada na mesa.
 19. Plano, já pronto, para funcionar como superfície plana.
 20. 3 sólidos juntos
 21. Superfície verde como base causa sensação de instabilidade, entretanto, sem tensão.
 22. Maior equilíbrio e proporcionalidade entre os elementos.
 23. Tensão entre a mesa e base
 24. Percebe-se a fresta existe pela projeção da sombra
25

Vídeo: 
Etapa IV
 Essa etapa consistia na união das demais, porém exigia uma relação de escala através da representação de uma obra arquitetônica já existente. Elegi uma obra da arquiteta iraquiana Zaha Hadid, única mulher a vencer o prêmio Pritzker em 2004. A obra que escolhi foi The Richard and Lois Rosenthal Center for Contemporary Art na cidade de Cincinnati no estado de Ohio, que foi construído em 2003. As cores não foram respeitadas, porém tentei manter a semelhança da obra em apresentar duas cores. Nesse caso, o rosa foi equivalente ao branco e o branco foi equivalente ao preto. 
26. Reprodução da obra em lego mantendo a proporção
27. Foto da obra na cidade de Cincinnati em Ohio

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Etapa V.II

Etapa V
Essa foi a etapa proposta na aula do dia 22.03. Ela era, na realidade, parecida com a de número um, que exigia a modificação da estrutura, preservando a memória. O processo exigia que mantivéssemos a memória visual inicial da figura, porém realizando algumas modificações. Por conta disso, escolhi montar uma espécie de cubo oco, pois ele se apresenta mais simples no momento de alterar a forma, já que suas arestas são bem definidas. Ao longo do processo, uma das prioridades, da minha parte, foi tentar conter mudanças nas arestas , porque são elas que conseguem manter a memória visual. Outro aspecto importante das alterações foi a tentativa de manter uma simetria entre elas, de forma que elas pareçam planejadas e pouco aleatórias. Portanto, apesar dos vazios e avanços existentes no volume após modificações, o sólido manteve uma imagem similar a da qual é originário e esse era o grande desafio desse exercício.

Sólido inicial
Sólido inicial, porém, agora, de um ângulo diferente
Vista superior do sólido para mostrar as irregularidades internas
Apesar dos recuos, avanços e vazios, a memória do volume é visível
Um ângulo diferente para mostrar o resultado final
Percebe-se que as alterações foram realizadas igualmente em todas as faces
A vista superior faz parecer que praticamente não houveram modificações. Todavia, essa impressão termina ao verificar outra angulação do volume.

domingo, 1 de abril de 2012

Espaço e Luz


Esse exercício buscava explorar as diversas maneiras de combinação entre Espaço & Luz. Para isso, portanto, foram necessárias caixas de papelão, papéis coloridos e, o principal, para dar idéia de espacialidade, o olho mágico. O principal empecilho para a realização da tarefa foi a de fotografar através do olho mágico, pois esse apresenta uma circunferência diferente da lente da câmera fotográfica. Assim, abaixo seguem algumas das propostas desenvolvidas. 

Proposta 1: a fim de obter essa tonalidade lilás, que reflete nas superfícies brancas, foi utilizado papel celofane da tonalidade "fruta-cor". As aberturas podem ser tidas como uma espécie de arte, pois além da função clássica, iluminação, podem servir como uma decoração ao ambiente. O interessante dessa forma é que ao longo do dia, com a variação do ângulo de incidência solar, a sombra varia e, por isso, tem-se diversas maneiras de se observar o espaço.

Visão ampla através do olho mágico
A irregularidade das abertas pode ser considerada como uma "arte" na parede
A utilização de papel celofane funciona como filtro. Por isso, o interior da caixa parece roxa.
Sombra na parede mostra o formato dos cortes

Proposta 2: mantendo o mesmo sentido de posicionamento da caixa, as aberturas são agora constantes e regulares. Apesar disso, as variações de cor e forma da superfície mantêm a quebra de linearidade da mesma. Outro aspecto importante de se salientar é que duas superfícies são coloridas, a esquerda e a frontal, e outras duas são brancas. Esse fato faz com que, mesmo com a intensidade da cor laranja de uma delas, o ambiente não fique sobrecarregado.

Sem o olho mágico, a fotografia apresenta as aberturas, caixas de fósforo, e a variação da superfície
Percebe-se que a luminosidade não ocorre apenas na caixas, mas também na parte superior lateral e frontal. Esse efeito transmite uma idéia de que a superfície está flutuando.
Vista mais ampla do "ambiente". Nota-se a projeção da luz na outra "parede"

Proposta 3: a grande mudança dessa proposta em relação às demais é que ela muda a relação de espaço com o observador, porque há a inversão do sentido da caixa. Outra alteração é a posição da abertura, uma vez que essa vem de um posição superior e não lateral como as anteriores. A principal característica dessa proposta é ressaltar um aspecto do ambiente através da utilização de luz natural. Nesse caso, o destaque é para uma reprodução da obra do artista plástico Piet Mondrian, Composição com vermelho, amarelo e azul de 1921.  Outra marca dessa proposta foi a curva existente na superfície inferior.

A entrada de luminosidade pela parte superior valoriza a réplica da obra de arte.
Aqui, percebe-se a tênue ondulação da superfície